A infecção urinária em matrizes suínas pode comprometer a saúde das fêmeas e gerar perdas para a granja. Como nem sempre apresenta sinais evidentes, a enfermidade exige atenção ao manejo e aos indicadores sanitários.
Além disso, a ocorrência pode estar associada a quadros graves, descarte precoce e prejuízos produtivos. Por isso, entender os fatores de risco, reconhecer os sinais e diferenciar prevenção de diagnóstico e controle é essencial para orientar as decisões.
O que é infecção urinária em matrizes suínas?
A infecção urinária ocorre quando microrganismos patogênicos se multiplicam no trato urinário, atingindo estruturas como bexiga e, em casos mais graves, rins. No caso das matrizes suínas, sua ocorrência é multifatorial e envolve agentes infecciosos, condições de manejo, ambiente e características fisiológicas.
Entre os agentes relatados estão Escherichia coli, Streptococcus spp. e Actinobaculum suis. Por exemplo, Menin et al. (2008) analisaram 922 matrizes com suspeita clínica; E. coli foi o microrganismo mais frequente entre os isolamentos em cultura pura (48,13%).
Quais são os impactos da infecção urinária sobre a produção?
Em primeiro lugar, infecções graves podem evoluir para pielonefrite e complicações sistêmicas. Nesse sentido, em estudo realizado com 185 matrizes descartadas de três rebanhos, foi identificada cistite por avaliação histopatológica em 45,94% dos animais (Cernat et al., 2021).
Como a infecção urinária pode repercutir nos resultados da granja?
A infecção urinária em matrizes suínas pode representar um prejuízo que vai além dos custos com diagnóstico e tratamento. Afinal, quando compromete a saúde das fêmeas, pode contribuir para descartes antecipados, reduzir sua vida útil e aumentar a necessidade de reposição no plantel.
Além disso, os impactos também podem ser observados nos indicadores reprodutivos. Por exemplo, Girotto et al. (2000), em estudo realizado pela Embrapa, registraram aumento da taxa de retorno ao cio e do intervalo entre desmame e cobertura durante um período de alta prevalência de infecção urinária.
Dessa forma, esses resultados mostram a importância de acompanhar a saúde urinária juntamente com os indicadores reprodutivos, identificando problemas sanitários antes que comprometam ainda mais a produtividade.
Quais fatores aumentam o risco de infecção urinária em matrizes suínas?
- Baixa ingestão de água: pode reduzir o volume de urina e a frequência de micções, diminuindo a eliminação mecânica de microrganismos das vias urinárias.
- Higiene inadequada: o acúmulo de matéria orgânica e o contato da região vulvar com superfícies contaminadas podem aumentar a exposição a agentes infecciosos.
- Baixa mobilidade: a menor movimentação pode estar associada a menos oportunidades de micção; sua relevância deve ser avaliada conforme o sistema de alojamento e o manejo.
- Falhas no acesso à água: bebedouros com vazão insuficiente, mau funcionamento ou dificuldade de acesso podem comprometer a ingestão hídrica.
- Características das matrizes: idade, fase produtiva e particularidades anatômicas também devem ser consideradas na avaliação de risco.

Como vários fatores interagem, portanto, corrigir apenas um deles pode não ser suficiente.
Como identificar infecção urinária em matrizes suínas?
Mudanças no aspecto e no odor da urina, secreções vulvares e alterações reprodutivas podem indicar a necessidade de investigar uma possível infecção urinária. Menin et al. (2008) identificaram turbidez e odor amoniacal (cheiro forte, semelhante ao de amônia) em amostras de urina, mas esses sinais, isoladamente, não confirmam a enfermidade. Por isso, o diagnóstico deve considerar a avaliação clínica e os resultados dos exames complementares.
Quais exames ajudam no diagnóstico?
O diagnóstico da infecção urinária em matrizes suínas envolve a avaliação clínica e exames complementares, como urinálise, testes com tiras reagentes, análise microscópica e cultura bacteriana. Assim, esses procedimentos ajudam a identificar alterações na urina e a presença de agentes infecciosos, permitindo uma avaliação mais precisa do quadro.
No entanto, a escolha dos exames e a interpretação dos resultados devem ser realizadas pelo médico-veterinário responsável.
Como reduzir o risco de infecção urinária em matrizes suínas?
Em geral, a prevenção envolve oferta adequada de água, higiene das instalações e equipamentos, funcionamento dos bebedouros e manejo que reduza a contaminação da região vulvar. Já o monitoramento sanitário tem outra função: identificar precocemente alterações, investigar casos suspeitos e orientar as medidas de controle de acordo com a realidade de cada granja.
Como tratar infecção urinária em matrizes suínas?
Antes de tudo, o tratamento deve ser orientado pelo médico-veterinário, considerando a gravidade da infecção e os agentes envolvidos. Bach et al. (2021), em estudo com 353 matrizes, alertaram para os riscos do uso coletivo de antimicrobianos pela ração, como doses inadequadas, tratamento de animais não infectados e resistência bacteriana. Por isso, identificar as fêmeas infectadas e direcionar o tratamento é fundamental para um controle mais eficiente da enfermidade.
Quais prejuízos econômicos a infecção urinária pode gerar?
Além das despesas com exames e tratamento, quadros sanitários graves podem gerar custos de reposição e perdas de potencial produtivo. Por exemplo, Girotto et al. (2000), em avaliação econômica de um sistema intensivo, estimaram perdas de R$ 6.871,94, equivalentes a R$ 10,90 por fêmea alojada, nas condições e nos valores da época.
Saúde urinária e eficiência produtiva exigem atenção integrada
Em suma, a infecção urinária exige medidas de prevenção, diagnóstico e controle com funções distintas. Em resumo, água, higiene e manejo ajudam a reduzir fatores de risco; a vigilância do plantel permite reconhecer alterações e orientar a investigação. Assim, essa abordagem contribui para decisões sanitárias mais consistentes e para a preservação da saúde das matrizes.
Perguntas frequentes
Infecção urinária pode causar morte súbita em porcas?
Sim. Em casos graves, a infecção pode evoluir para comprometimento renal e complicações sistêmicas potencialmente fatais. Entretanto, nem toda morte súbita está relacionada à infecção urinária; a causa exige investigação veterinária e, quando indicada, necrópsia.
Infecção urinária pode causar retorno ao cio?
Sim, pode estar associada a falhas reprodutivas, mas retorno ao cio tem diversas causas e requer investigação.
Quais bactérias causam infecção urinária em suínos?
Entre os agentes relatados estão E. coli, Streptococcus spp., Staphylococcus spp. e Actinobaculum suis.
Como saber se uma matriz está com infecção urinária?
Sinais urinários e reprodutivos podem levantar suspeita; no entanto, o diagnóstico exige avaliação clínica e exames.
Ácidos orgânicos na alimentação previnem infecção urinária?
Ácidos orgânicos podem modificar o ambiente gastrointestinal, dependendo da formulação e da dose. No entanto, isso não demonstra, por si só, prevenção de infecção urinária. Além disso, o suporte nutricional não substitui oferta adequada de água, higiene, diagnóstico e tratamento veterinário quando necessário.
Referências científicas
- MENIN, A. et al. (2008). Diagnóstico de infecção urinária em fêmeas suínas produtivas em granjas comerciais no Sul do Brasil. Ciência Animal Brasileira, 9(1), 199–206. Acessar estudo
- MAZUTTI, K. et al. (2013). Precisão da tira reagente e do exame microscópico da urina no diagnóstico de infecções do trato urinário em porcas. Pesquisa Veterinária Brasileira, 33(9), 1103–1108. Acessar estudo
- PÔRTO, R. N. G. et al. (2006). Aspectos histopatológicos do sistema urinário de matrizes suínas descartadas. Ciência Animal Brasileira. Acessar estudo
- Urinary tract infections in culled sows from Greek herds (2021). Acessar estudo
- Rational use of antibiotics for treatment of urinary infection in sows (2021). Ciência Animal Brasileira. Acessar estudo
- GIROTTO, A. F. et al. (2000). Avaliação econômica de alta prevalência de infecção urinária em matrizes em um sistema intensivo de produção de suínos. Embrapa Suínos e Aves, Comunicado Técnico 259. Acessar estudo